A PRODUÇÃO
A minha ajudante também produziu um. Eis o resultado.
O RESULTADO
A HISTÓRIA
Dona Zulmira na olaria. Fotografia "pinhole" - 7 segundos de exposição
Interior da olaria - torno à esquerda. fotografia "pinhole" - 7 segundos de exposição.
Dupla exposição - interior e exterior da olaria - fotografia "pinhole"
Dupla exposição - interior e exterior da olaria - fotografia "pinhole"
Interior da olaria - fundos, onde é guardado o barro - fotografia "pinhole"
10 segundos de exposição
Fachada da Olaria - fotografia "pinhole" - 1 segundo de exposição
fotografias e texto: Bárbara Nunes
barbaranunes.com@gmail.com
OS OVOS E PRATOS ESTÃO À VENDA NA MINHA LOJINHA:
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Já faz um tempo que fui buscar os ovos que
encomendei na olaria Santa Rita, aquela de Vendinha. O Toninho, oleiro e dono
do estabelecimento, fez um bom trabalho e o resultado da produção de Páscoa do
Atelier pode ser conferido hoje no blog e na lojinha.
Ovos de cerâmica como estes eram produzidos
pelo já falecido Quintino, os primeiros que fiz foram os desenhados com
paisagem como os de agora, mas pintados com lápis de cor.
A minha amiga Carla Balbinot também foi
responsável por este trabalho de certa maneira. Ela me levou à olaria e me
apresentou ao Quintino e à dona Zulmira sua esposa. Naquela época íamos a pé
até lá para comprar ovos, pratinhos, vasos, potinhos e aí vai. Para quem
sempre havia morado em cidade grande e em apartamento, era uma aventura percorrer
aquela cidadezinha, por entre ruas de chão batido e ainda cortar caminho
por uma picada no meio do mato para chegar até lá. Era um lugar
maravilhoso, um pequeno labirinto recheado de objetos de barro, tão
singelos e tão deliciosos. Na época eu acabara de ler o romance do José
Saramago “A Caverna” e foi uma identificação imediata. Certo dia de inverno, eu
fui lá para fotografar. Saquei a minha câmera “pinhole” e comecei a função
enquanto conversava com dona Zulmira. O oleiro Quintino não estava por ali.
Papo vai, papo vem e de repente ouço um barulho no fundo da olaria. Como achei
que estávamos sozinhas perguntei à dona Zulmira se não poderia ser um bicho, um
rato ou um gato. E ela com toda a naturalidade disse: “ é o Quintino”. Pois e
não é que era mesmo! Fazia dois dias que ele passara queimando as suas peças,
os fornos estavam quentes ainda e ele aproveitou para descansar um pouco
dentro do forno quentinho. Lembro bem da figura deste homem de barro arrastando
uma cobertinha pela olaria com cara de sono e me olhando espantado. Não
mais do que eu! Na época ele já deveria ter uns 80 anos. Era um homem
muito generoso e muito habilidoso. Estava sempre disposto a ensinar o seu
ofício.
Depois que ele faleceu, a dona Zulmira também
não viveu muito tempo e os filhos acabaram vendendo a olaria para o Toninho que
mudou o nome do estabelecimento de “Olaria do Quintino” para “Cerâmica Santa
Rita”. Ficou um tempo no velho galpão e logo recebeu uma proposta pelo
terreno e acabou se mudando para Vendinha. Quando passo por ali dá uma tristeza
de ver aquele maquinário aterrando e terraplanando onde foi a olaria do
Quintino. Mas o “progresso” é assim, esmagador.
O Toninho me contou que tem cada vez menos
profissionais na área, que a cada geração menos pessoas se interessam pelo ofício.